Toda vez é a mesma coisa quando passo por aqui, algumas pessoas dormem, outras se interessam por olhar. Eu sou a da turma dos que se interessam, e muito além de me interessar eu admiro, reflito, rio.
Quando o ônibus chega ao lugar mais alto do percurso, logo pela manhã, os primeiros raios de sol se refletem na superfície da água e a faz parecer prata derretida a banhar minha pequena ilha. Ao fundo como coadjuvantes estão os navios, longe, indefesos, parecem mais patinhos raquíticos, mas ainda há certa graça em vê-los. No fundo, eu sei que patinhos feios acabam por virar cisnes no final da história.
O ônibus ronca mansinho subindo a ponte, eu olho para as pessoas que dormem, tenho vontade de acordá-las e dizer o quanto ignoram os sinais de Deus no decorrer do seu dia. Mas, tudo bem, contenho-me. Algumas delas trabalham o dia inteiro, além de cuidar da família, dormem tarde, para no final de tudo, faltar mês no final do salário e sobrar, desespero.
Deixem-nas dormir, então! Sonhos melhores para ti, vizinho que dorme no banco em frente ao meu!
No fone de ouvido toca uma música qualquer, não me importo, dentro de mim a canção é outra, perceptível somente a mim, sem perigos de microfonia.
Pela janela o vento gelado bate em meu rosto, vejo as rochas envoltas pelo mar prateado, e no mais alto de uma delas, uma casinha branca. É a casinha da mãe de Deus. É como se todos os dias, seu filho amado a presenteasse com cores e imagens, daquelas que mais alegram o dia de réles mortais como eu. Ao passar na frente da casinha imaculada, como sempre, faço o sinal da cruz. Tem hábitos e crenças que não nos largam mesmo com o passar do tempo, o que não é normal, em geral o tempo nos leva tudo. Mas a minha fé, a minha fé não há de se perder com o tempo.
A vista a noite, na volta pelo mesmo caminho, não perde em nada pela manhã. Ainda dá para ver o mar, dessa vez, negro e brilhante, cor de jabuticaba. Mas, o que chama atenção mesmo são as luzes da cidade, mil vaga-lumes a iluminar a ilha.
Os prédios altos também compõem o visual com as suas vestimentas brilhantes e polidas, vitrais impecáveis que refletem as luzes noturnas da cidade e me faz pensar se toda noite deveria ser vista como um baile de gala ou uma discoteca com seus paetês gigantes. Os prédios dançam, sorriem, mostram suas gentilezas para com os outros convidados. Mas, que engraçado, pela manhã parecem ser executivos tão formais, seus aspectos imprimem tédio e melancolia, deve ser a ressaca de todas as festas noturnas.A viagem chega ao fim, chego ao chão, ao meu destino. Sei que se tivesse um par de asas não entenderia a beleza vista do alto. Há coisas que só podemos desfrutá-las entendendo nossa real condição, a de ser humano. Embora, poucos façam a reflexão de se humanizar.
KARLA DOMINGOS


2 comentários:
axei esse beem legal tmbem.. heim vs mora em vitória neah?? hehe eu tmbem xD bom se quiser add ai xD p.street@hotmail.com =D Bjs
hj qd voltei da sua casa e passei pela terceira ponte eu lembrei desse texto.. minha escritora favorita! S2
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