sábado, 15 de dezembro de 2007



- Infância


Eu ansiava por ter os meus 18 anos logo, a tão falsa idade da liberdade...grande tolice.
Liberdade de verdade é ser criança.
Sem receios, sem medos nem amores impossíveis.
Sem provas de final de ano, sem seus pais falando pra chegar cedo ou reclamando por chegar tarde. Nessa idade as festinhas mais badaladas terminavam às 20h e você comia à patuscadas, enchia copinhos de brigadeiro e ia embora sorrindo com os seus balões ricos em ar dos pulmões, é claro que, vc nem pensava nas milhares de bactérias existentes, pois o mais importante eram as cores e o divertimento do dia seguinte no quintal de casa (ou no quarto mesmo, ou na cozinha..aonde a imaginação mandasse e os seus pais deixassem).

O bom de tomar sorvete sem se preucupar com a roupa, com a pose...com os pneuzinhos.

O bom de se apaixonar por ninguém ( a não ser por aquele gato que te dava aula no primário, mas nessa época vc ainda acreditava em contos de fada).

Quando se é criança você não fica confusa quando seu pai diz que você está nova demais para aquele show irado (que vc esperou o ano todo!!!) e no outro dia, quando ele se depara com tudo espalhado pelo quarto, fala que vc já é adulta e tem que ter mais responsabilidade com as suas coisas. Acho que nem Freud explica.

Por isso que digo, repito e até desenho pra vc não esquecer, ser criança é ser criança e PRONTO, sem delongas.

É, agora entendo quando dizem "era feliz e não sabia". Não, eu não sabia.



Karla Domingos.





sexta-feira, 14 de dezembro de 2007


- A DANÇA


Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: te amo secretamente, entre a sombra e a alma..Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascender da terra...Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo directamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira. Se não assim deste modo em que não sou nem és tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha, tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Plabo Neruda.