quarta-feira, 27 de julho de 2011

O susto.

Eu não sei do meu futuro, tenho pensado ultimamente muito nisso. Hoje, por exemplo, passou um avião perto de minha casa em uma velocidade tão grande ou talvez mais baixo do que o normal, que meu coração veio à boca, levei um susto de verdade! Achei que ele fosse cair e pensei "Bem, acabou aqui... São assim que os desastres acontecem, amanhã minha foto vai estar nos jornais!". 

Ok, agora é engraçado pensar que eu, naquele momento, disse adeus ao mundo prematuramente, mas a verdade é que nunca sabemos realmente até onde vamos chegar.


As pessoas geralmente falam que quando somos crianças fazemos várias perguntas e temos um imenso estoque de "porquês", mas para falar a verdade eu quando criança nunca me perguntei qual era o sentido da vida e porque de fato existiamos, eu apenas brincava e aceitava a condição de ser assim porque havia de ser assim. Acho que minhas perguntas se abriram a mim bem depois da infância, o que não adianta muito entrar nessa discussão, até porque eu sei que é um discussão infinita envolvendo ciência, religião e uma pá de coisas.

Enfim, o que estou tentando dizer, desde o momento que eu falei do meu pequeno"susto" com o avião, é que de fato não sabemos a hora em que vamos embora desse mundo, não sei se vou chegar a velhice com a quantidade de besteiras que como e a falta de exercícios, não sei se vai cair um avião na minha sala enquanto eu estiver vendo Os simpsons, não sei se eu, por medo de morrer com um ataque cardíaco, resolva fazer cooper e morrer de doença respiratória, cheirando esse belo ar puro que só o nosso planeta pode nos proporcionar, não sei se vai entrar um maníaco na minha sala de aula e atirar em mim e em todos os meus colegas e professores, não sei. Não sabemos. O fato é que eu, quando passou o susto, pensei: Se eu morresse, quais eram as últimas palavras que eu havia dito àqueles que me são caros? Não estou dizendo que devemos andar por aí com medo e se sentindo constantemente em um filme de ação, mas é o seu ato, a sua vida, o seu palco! O que é que você diz no seu palco, todos os dias? O que é que você tem deixado para aqueles que o amam, para aqueles que VOCÊ ama? Não desperdice tempo com joguinhos inúteis, com futilidades e com orgulho. Dêem-se a chance de se amar e principalmente de enxergar, até mesmo do seu lado, aquela pessoa que pode lhe fazer feliz. Às vezes a gente perde muito tempo com coisas desnecessárias, com pessoas desnecessárias. Ame quem lhe ama de volta, dê valor a tudo o que você tenha, seja em si mesmo ou outra pessoa, porque o tempo, esse sim, é valioso demais!


(Ps.: Dei uma chance a quem estava sempre do meu lado e ouso arriscar dizer que agora é para a vida inteira, isso eu não deixei passar e tenho muito orgulho de dizer!)


Karla Domingos .

domingo, 11 de julho de 2010

Eu me adapto?

Olha, se eu contar a fúria que corre em meu sangue, a tempestade que me acomete, me invade e tenta competir com a real tempestade que, no momento, faz barulho na janela, eu lhe atormentaria.

A chuva está caindo lá fora, mas aqui internamente, meu coração está acelerado, características de quem não sabe o que vem, tem medo do que possa vir, ao mesmo tempo que esperou por isso longos anos. Esperar por tanto tempo tomou formas dentro de mim que, agora em que tudo está acontecendo, eu não sei como agir. É o famoso giro de 180° graus que a vida nos dá. Eu estava no Brasil, agora me vejo no Japão e tudo está de cabeça para baixo.

Boas oportunidades requerem um nível alto de responsabilidades. Mas, como proceder, se olho-me no espelho e não vejo uma adulta, mas  sim uma criança assustada...

É, talvez eu seja uma criança assustada, que saiu do abrigo dos pais para brincar mais longe e se perdeu no caminho. 

Agora, sou eu quem faço o meu caminho. Venha o que for, eu me adpto!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Itinerário II


Toda vez é a mesma coisa quando passo por aqui, algumas pessoas dormem, outras se interessam por olhar. Eu sou a da turma dos que se interessam, e muito além de me interessar eu admiro, reflito, rio.
Quando o ônibus chega ao lugar mais alto do percurso, logo pela manhã, os primeiros raios de sol se refletem na superfície da água e a faz parecer prata derretida a banhar minha pequena ilha.  Ao fundo como coadjuvantes estão os navios, longe, indefesos, parecem mais patinhos raquíticos, mas ainda há certa graça em vê-los. No fundo, eu sei que patinhos feios acabam por virar cisnes no final da história.
O ônibus ronca mansinho subindo a ponte, eu olho para as pessoas que dormem, tenho vontade de acordá-las e dizer o quanto ignoram os sinais de Deus no decorrer do seu dia. Mas, tudo bem, contenho-me. Algumas delas trabalham o dia inteiro, além de cuidar da família, dormem tarde, para no final de tudo, faltar mês no final do salário e sobrar, desespero.
Deixem-nas dormir, então! Sonhos melhores para ti, vizinho que dorme no banco em frente ao meu!
No fone de ouvido toca uma música qualquer, não me importo, dentro de mim a canção é outra, perceptível somente a mim, sem perigos de microfonia.
Pela janela o vento gelado bate em meu rosto, vejo as rochas envoltas pelo mar prateado, e no mais alto de uma delas, uma casinha branca. É a casinha da mãe de Deus. É como se todos os dias, seu filho amado a presenteasse com cores e imagens, daquelas que mais alegram o dia de réles mortais como eu. Ao passar na frente da casinha imaculada, como sempre, faço o sinal da cruz. Tem hábitos e crenças que não nos largam mesmo com o passar do tempo, o que não é normal, em geral o tempo nos leva tudo. Mas a minha fé, a minha fé não há de se perder com o tempo.
A vista a noite, na volta pelo mesmo caminho, não perde em nada pela manhã. Ainda dá para ver o mar, dessa vez, negro e brilhante, cor de jabuticaba. Mas, o que chama atenção mesmo são as luzes da cidade, mil vaga-lumes a iluminar a ilha.
Os prédios altos também compõem o visual com as suas vestimentas brilhantes e polidas, vitrais impecáveis que refletem as luzes noturnas da cidade e me faz pensar se toda noite deveria ser vista como um baile de gala ou uma discoteca com seus paetês gigantes. Os prédios dançam, sorriem, mostram suas gentilezas para com os outros convidados. Mas, que engraçado, pela manhã parecem ser executivos tão formais, seus aspectos imprimem tédio e melancolia, deve ser a ressaca de todas as festas noturnas.
A viagem chega ao fim, chego ao chão, ao meu destino. Sei que se tivesse um par de asas não entenderia a beleza vista do alto. Há coisas que só podemos desfrutá-las entendendo nossa real condição, a de ser humano. Embora, poucos façam a reflexão de se humanizar. 


KARLA DOMINGOS

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Há de se concertar uma asa?



 Não sou dona da verdade, mas também, como poderia de sê-la? Conto mentiras, não o tempo todo, mas elas saem por assim dizer, soltas como folhas ao vento, que de tão miúdas seriam  imperceptíveis, se não fosse o próprio vento a desalinhar os cabelos e pelas minúsculas partículas de poeira a quase cegar-te os olhos.
Eu não tenho a pretensão de cegar-te, disse isso no pequeno papel que escrevo como forma de entreter minh'alma triste, que anda por aí com uma das asas na mão, um querubim deficiente. Imagine a tristeza deveras que é ser criado para voar e perder-se uma asa? Tantos lugares inalcançáveis, intransponíveis que talvez nunca mais sejam vistos novamente.
Mas, quem me conhece sabe que não usaria de mentiras para prejudicar um amigo.
Quem me conhece sabe o que se passa no mais fundo âmago do meu ser.
Vejam só, que calúnia do destino!

__ Meu querubim, porque quebraste uma asa?
__ Estava voando na imensidão azul do céu, tendo a certeza em meu coração de que aquela que eu mais queria cuidar, para que seu pé não tropeçasse em uma pedra, confiasse que não a quero mal. Mas, tacaram pedras em minha pobre asa, vejam só! Despenquei cada vez mais e mais fundo. Quando cheguei ao chão percebi com surpresa, aquela em que eu cuidava e queria bem estava assistindo a tudo e não me socorreu.
Vi-la de mão dada com meu agressor a perder-se no horizonte.
Enquanto eu, pobre criatura agora aleijada, daqui vejo as sombras daqueles que ainda pouco foram embora. Logo eu, que a ampararia em qualquer queda.
E agora, o que se há de fazer?
__ Não há nada a se fazer pois não a nada a se esperar das pessoas, a não ser o esquecimento. Crê em mim! É menor o sofrimento de não se decepcionar.
E antes de cuidar de alguém assegura-te que cuidas de ti mesmo, para que ninguém o acerte com outra pedra . Mas, se caso não concerte tua asa não fique triste! Pois, irás comprovar minha teoria de que as asas dos anjos devem ser igual a confiança dos homens, uma vez quebrada não há de ser restaurada, não há de voltar a ser como d’antes.


KARLA DOMINGOS

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Jingle Bell

Não adianta olhar todos os detalhes do seu rosto no espelho e ficar com essa cara de tonta... Sim! Mais um ano passou e você não fez nem metade das coisas que quisera fazer.
Natal está aí, mais uns pesos de papel pra ganhar de presente, sem contar aquelas toalhinhas bordadas com o seu nome, que a sua tia insiste em fazer todo o ano pra você.
Come todos aqueles tipos de aves, suja seu vestidinho novo com molho pardo e passa um guardanapo pra tentar amenizar, e fica sorrindo com a boca lambuzada de gordura.
ÓTIMO, isso porque na virada do ano passado para o que está por findar-se você tinha JURADO fazer uma dieta e emagrecer pra usar aquela roupa justa em que todos podiam jurar que você já nasceu com ela.
Mas, sempre vem o maaaaaaaas, você engordou uns 5kg e teve que comprar este vestido largo, ao molho pardo, para dar um aspecto novo a sua figura, uma repaginada no visual que continua o mesmo por baixo de quilos de maquiagem e de panos. Não sei porque, o natal e virada de ano não são nada poéticos, mas mesmo assim, todo mundo se esforça pra mostrar ser o que não é e o dinheiro que não tem. Vai entender.

KARLA DOMINGOS

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Não tenho nome para este poema

Se paro penso que fico, se vou sei que não páro

Eu tenho os meus infinitos e faço (de tudo!) ao contrário

A vida por ser assim, nos entrega a própria sorte

E faz às vezes do riso o seu leito de morte

Tenho mais calos do que pele macia

Guardo mais espinhos do que flores colhidas

Mas, não reclamo... não reclamo

Da erva daninha faço flor, do espinho fere-se o amor

E amando assim, mesmo ferida, sinto-me inteira


Karla Domingos

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Basta o olhar


Nessa brincadeira de me olhar nos olhos e dizer tudo o que sente, faz brilhar em meu olhar tudo aquilo que deveria expressar-lhe pela boca.


E, antes mes
mo que possa pensar em lhe falar qualquer coisa, se desenrrola a minha língua para mais um beijo seu.


O que quer de mim? Se não há como exprimir uma só palavra, todas as vezes em que cinge minha cintura e eu lhe envolvo com ternura?

Cola-se a boca como velcro, enrrolam-se as pernas como serpentes e deixo então que os meus olhos pronuciem, ou o próprio silêncio, todo o amor que há aqui, dentro de mim.


Karla Domingos